Partidos do centrão votam a favor de parecer pela suspensão de deputados de direita no Conselho de Ética.
- Jaime Maldini
- 6 de mai.
- 3 min de leitura

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, parecer que recomenda a suspensão por 60 dias dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Os três são ligados ao campo da direita e foram acusados de quebra de decoro por terem participado da ocupação da Mesa Diretora da Câmara, em agosto de 2025, durante protesto pela votação da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A decisão, no entanto, ainda não representa a suspensão definitiva dos mandatos. O parecer aprovado pelo Conselho de Ética ainda precisa ser analisado pelo plenário da Câmara dos Deputados, e os parlamentares também podem recorrer.
O ponto que chama atenção na votação é que o parecer pela suspensão não teve apoio apenas de partidos de esquerda. Deputados de siglas associadas ao chamado centrão e que, em diferentes momentos, estiveram próximas do bolsonarismo ou integraram a base política do governo Bolsonaro, também votaram a favor da punição recomendada.
Entre os votos favoráveis ao parecer apareceram nomes do PP, MDB, PSD, Republicanos, União Brasil, PDT, Podemos e PSOL, além do PT.
No caso de Marcos Pollon, votaram a favor do parecer pela suspensão deputados como AJ Albuquerque (PP-CE), Julio Arcoverde (PP-PI), Castro Neto (MDB-PI), Luciano Amaral (PSD-AL), Albuquerque (Republicanos-RR), Gustinho Ribeiro (PP-SE), Moses Rodrigues (União Brasil-CE), Josenildo (PDT-AP) e Chico Alencar (PSOL-RJ), além de parlamentares do PT, como Maria do Rosário (PT-RS), João Daniel (PT-SE) e Dimas Gadelha (PT-RJ). O placar foi de 13 votos a 4 pela aprovação do parecer.
Na votação sobre Marcel Van Hattem, deputado gaúcho do Novo, o resultado também foi de 13 votos a 4 a favor do parecer pela suspensão. Votaram favoravelmente nomes como AJ Albuquerque (PP-CE), Julio Arcoverde (PP-PI), Castro Neto (MDB-PI), Luciano Amaral (PSD-AL), Albuquerque (Republicanos-RR), Gustinho Ribeiro (PP-SE), Moses Rodrigues (União Brasil-CE), Josenildo (PDT-AP), Nely Aquino (Podemos-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ), além de Maria do Rosário, João Daniel e Reimont, do PT.
Já no caso de Zé Trovão, a aprovação do parecer teve placar ainda maior: 15 votos a 4. O deputado catarinense, assim como Pollon, é filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspensão foi defendida pelo relator Moses Rodrigues (União Brasil-CE), que alegou quebra de decoro parlamentar pela obstrução dos trabalhos da Câmara.
O episódio levanta uma contradição política que merece atenção do eleitor. Enquanto parte desses partidos mantém discurso de proximidade com a direita, com o bolsonarismo ou com pautas conservadoras, seus representantes no Conselho de Ética votaram a favor do parecer que recomenda a suspensão de três parlamentares identificados justamente com esse campo político.
O PP, por exemplo, teve figuras centrais no governo Bolsonaro, como Ciro Nogueira. Já partidos como Republicanos, União Brasil, MDB e Podemos também costumam disputar espaço político junto ao eleitorado de centro-direita e conservador em diferentes estados.
Por outro lado, no Conselho de Ética, parlamentares dessas siglas votaram, neste caso, ao lado de deputados da base governista e da esquerda pela aprovação do parecer contra Pollon, Van Hattem e Zé Trovão.
Parlamentares da oposição criticaram a decisão e classificaram a medida como uma punição política. Segundo o Poder360, nomes como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Rogério Marinho reagiram contra a aprovação do parecer, afirmando que a medida abre precedente contra o exercício do mandato parlamentar.
A votação, portanto, não envolve apenas a situação individual dos três deputados. Ela também levanta uma pergunta política: quando chega a hora de votar, quais partidos realmente defendem os parlamentares da direita e quais apenas usam esse discurso diante do eleitor?
As informações sobre os votos foram divulgadas pelo Poder360 e constam nos registros oficiais da Câmara dos Deputados.




Comentários