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Qual será o destino da prefeita de Cachoeirinha após cassação em primeira instância?

  • Foto do escritor: Jaime Maldini
    Jaime Maldini
  • 21 de mai.
  • 2 min de leitura
Por enquanto, a prefeita segue administrando a cidade. Mas o futuro político dela dependerá dos próximos capítulos na Justiça Eleitoral

A cassação em primeira instância da prefeita de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, do Avante, abriu uma nova fase de incerteza política no município. Eleita em abril deste ano, em uma eleição suplementar, Jussara teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral junto com o vice-prefeito Luis Carlos Azevedo da Rosa, o Mano, do PL, após decisão que apontou abuso de poder político durante a campanha.

Mas, apesar do impacto da decisão, a saída da prefeita do cargo não é imediata. Como a sentença foi dada em primeira instância, Jussara e Mano ainda podem recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul e, posteriormente, ao Tribunal Superior Eleitoral. Até que o processo avance nas instâncias superiores, os dois seguem no comando da prefeitura.

O primeiro possível destino da prefeita é a reversão da decisão. A defesa sustenta que os vídeos questionados seriam anteriores ao próprio processo eleitoral e ligados a ações reais da prefeitura, em um contexto de reconstrução após as enchentes de 2024. Esse argumento tenta separar comunicação institucional de promoção eleitoral. Caso o TRE-RS aceite essa tese, Jussara pode permanecer no cargo e encerrar o episódio com uma vitória jurídica importante.

O segundo cenário é a manutenção da cassação pelo TRE-RS. Se isso acontecer, a situação política da prefeita se complica. Mesmo assim, ainda caberia recurso ao TSE, em Brasília, que é quem dá a palavra final em disputas eleitorais no país. Ou seja, mesmo uma derrota no tribunal gaúcho não necessariamente significaria o fim imediato do mandato.

O terceiro caminho é o mais grave para a atual gestão: a confirmação definitiva da cassação. Se o TSE mantiver a decisão, Cachoeirinha poderá ser obrigada a realizar uma nova eleição suplementar para escolher prefeito e vice até o fim do mandato, em 31 de dezembro de 2028. Nesse caso, a cidade voltaria às urnas mais uma vez, ampliando um ciclo de instabilidade que já marcou os últimos anos.

Há ainda um fator político importante. Cachoeirinha já passou por sucessivas trocas no comando da prefeitura. Antes de Jussara, os ex-prefeitos Miki Breier e Cristian Wasem também enfrentaram processos que resultaram em afastamentos ou cassações. Por isso, uma nova eleição poderia aumentar ainda mais a sensação de desgaste entre os eleitores.

A última eleição suplementar já demonstrou esse cansaço. Mesmo com mais de 102 mil eleitores aptos, a abstenção chegou a 42,22%. Jussara foi eleita com 22.595 votos, o equivalente a 43,39% dos votos válidos. Esses números mostram que a disputa judicial não envolve apenas o futuro da prefeita, mas também a relação da população com a política local.

Na prática, o destino de Jussara Caçapava está dividido entre três possibilidades: reverter a cassação e seguir no cargo; manter-se temporariamente enquanto recorre às instâncias superiores; ou perder definitivamente o mandato, abrindo caminho para uma nova eleição em Cachoeirinha.

Por enquanto, a prefeita segue administrando a cidade. Mas o futuro político dela dependerá dos próximos capítulos na Justiça Eleitoral — e Cachoeirinha, mais uma vez, acompanha um cenário de incerteza sobre quem comandará o município nos próximos anos.

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